Oportunidade, Continuidade e Efeitos Correlativos entre
Custos Fixos, Produção e Mercado - Antônio Lopes de
Sá
Elaborado em
12/2007
Grandes empreendimentos requerem em geral
imobilizações maiores, especialmente em determinados ramos nos quais só estas
permitem uma eficaz operacionalização.
Em certos casos chegam a ser vultosos os
referidos investimentos, colocando, inclusive em risco também proporcionalmente
maior os que investidores.
Essa tem sido uma das razões que leva a
concentração de capitais e cuja complexidade pode criar outros tantos
problemas.
Ou seja, a vocação dos grupos que assumem
maiores riscos é sempre a de desejarem maiores controles sobre o comando das
empresas.
Um dos grandes estudiosos do tema, professor da
Universidade de Roma, o excelso doutor Pietro Onida produziu obra magistral no
que tange à matéria, conseguindo que a mesma o fizesse um "clássico" no
assunto.
O mestre leciona ostensivamente que maiores
imobilizações resultam em maiores custos fixos e estes inevitavelmente absorvem
os lucros, exigindo uma gestão especial para poder extrair do mercado consumidor
o suficiente para pelo menos durante algum tempo garantir o
equilíbrio.
Como a conquista do utente e as condições em que
trabalha nem sempre permite a este que pague o preço imposto, mas, sim, o
conveniente, ocorre um problema de compatibilização.
Portanto, ao realizar inversões maiores o
produtor dos bens ou dos serviços pode não conseguir imediatamente seus
resultados lucrativos imediatos.
A implantação de um negócio requer visão em
longo prazo quando são vultosos os investimentos.
Não significa, pois, tecnicamente erro
administrativo o fato de não se obter imediatamente proveitos financeiros, pois,
a continuidade tem prevalência sobre a oportunidade quando se tem em mira a
implantação de uma grande empresa.
A própria prática de preços menores para a
conquista de mercado e garantia de sobrevivência pode justificar eficácia
administrativa.
Onida é taxativo, em sua obra mestra sobre a
"dimensão do capital das empresas" lecionou na primeira metade do século XX que
a transformação de custos fixos em custos variáveis só se consegue com alguns
sacrifícios e que apenas o aumento de produção pode reverter o peso das altas
imobilizações.
A constituição, a expansão das imobilizações
técnicas, portanto, deve ser compensada com o aumento da produção, mas, este só
pode ser mantido se conquistados mercados no quais grandes consumidores
assegurem uma permanência de operacionalidade.
Os referidos fenômenos patrimoniais, portanto,
são de incidência concomitante sobre a operacionalidade empresarial e
representam um desafio administrativo.
Nem sempre, pois, menores preços, com ausência
de lucros podem ser interpretados como "ineficiência" de gestão ou "ineficácia
patrimonial".
Os fatos devem, pois, ser observados com uma
séria relatividade e cautela em relação ao "tempo da lucratividade", associado
ao regime de "tempo da continuidade" de um empreendimento.
Assim leciona o grande mestre e assim a prática
consagra.
A união de grupos para exploração de grandes
empreendimentos precisa levar em conta os efeitos dos resultados
intersocietários, também afirma o grande mestre e assim entendo deva ser
orientada a análise face ao conjunto que se ligou para viabilizar um macro
negócio.
Ademais é preciso considerar que é natural que o
interesse da empresa em um grupo não seja apenas o dela e que se lhe permitido
foi realizar algo ciclópico depende da força de coalizão.
Poderosa usina de energia, grande ferrovia,
siderurgia de expressão, fábrica de veículos, extração de metais raros, refino
de petróleo, indústria de construção naval, são alguns dentre muitos exemplos
que exigem grandes esforços de investimentos e requerem análises complexas, sob
a metodologia da relatividade.
Pela importância que representam na
infra-estrutura das economias das nações tais empreendimentos devem ser
considerados de forma especial e a necessidade de dissolver custos fixos muito
responsabiliza o volume de produção e este o do comportamento especial perante o
mercado.
A doutrina contábil do Neopatrimonialismo face a
tal situação oferece importante metodologia cientifica.
Fundamentando-se em uma visão holística as
doutrinas da referida abrangem não só as análises dos grupos de investidores, os
ambientes em que as empresas operam, o tempo e o espaço das ocorrências, ou
seja, as condições particulares atadas às sociais e naturais que estão
diretamente conectadas com os grandes empreendimentos.
As eficácias dos sistemas da "resultabilidade" e
da "economicidade" devem-se realizar com prevalência de interações, exigindo que
a dissolução dos custos fixos se efetive na razão direta dos investimentos.
Elaborado por:
Antônio Lopes de Sá - Vice Presidente da
Academia Nacional de Economia
E-mail:
lopessa.bhz@terra.com.br